sábado, 15 de dezembro de 2012

DESABAFO

Gente o Candomblé é uma religião incrível, cheia de cores harmonia, com Orixás/voduns que são energias divinas que nos trazem paz, alegria e não guerra. Quem nunca se emocionou num Xirê/odorozan, nunca se arrepiou com o toque dos atabaques,nunca se divertiu numa função, e nunca sentiu a paz que o abraço de um Orix/vodun nos traz. Que religião mais linda a nossa, rica e cheia de vida que é o nosso Candomblé! E é exatamente por isso q ono candomblé não deve haver desunião entre casase irmãos de culto, todos nos cultuamos os mesmos Orixás,voduns e uma coisa ou outra podem até podem ser diferentes entre os iles/kues afinal ninguém sabe o certo por completo. A nossa religião e a única que aceita homens, mulheres, homossexuais, héteros, crianças, idosos, negros, brancos, orientais, deficientes, gordos, magros, enfim seja quem for o Candomblé não fecha as portas para ninguém, o que fecha as portas é a ignorância dos de fora. E os que seguem a religião também não ajudam, em vez de se unirem e mostrar a riqueza que a nossa religião tem eles fazem guerra apontam o que e certo e o que não é e mostram que no Candomblé só existe intriga e desunião. infelizmente tem muita gente assim. Bom, eu disse o que estava entalado na garganta, nem todos irão concordar como sempre mas o melhor a se fazer e refletir! acorda vodunsi. Mais união mais humildade e sobretudo mais respeito uns com os outros. pejigan vanderlei de odé.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aziri Tolá


Assim como em todas
as culturas afro descendentes, no djèdjè mahí também existe uma divindade relacionada ao culto as águas doces e a fertilidade. Essa divindade é considerada uma Nae togbosy termo que engloba outras demais divindades relacionadas as águas.

Aziri Tolá é uma Nae Togbosy que vive no fundo dos rios, pertencendo a
o panteão da terra pelo culto aos ancestrais. Muito doce e meiga, prefere a paz e traquilidade do fundo dos rios, regendo todos os seres vivos que por lá vivem. Recebeu ordens de Mawú para levar aos seres humanos a fé e o amor, sendo responsável também pela beleza e fertilidade do planeta, cuidando de sua aparência e bem estar. É a senhora do amor e tem a propriedade de unir as pessoas sentimentalmente através da paixão e do amor.
Rege os casamentos, as uniões estáveis e todo laço de afeto que pode existir entre duas pessoas de sexo opostos ou do mesmo sexo.
É vaidosa, caridosa porém muito exigente, gostando das coisas sempre em ordem, principalmente relacionadas ao culto. É a maior representante da classe das Naes togbosys das águas doces pela sua importância e por se assemelhar muito ao òrísá Òsún dos cultos iorubás.
Veste amarelo clarinho, com detalhes dourados e prateados. Se enfeita com pedras, conchas e caramujos. Aziri tolá também é responsável pela fertilidade da mulher, regendo a gestação, a hora do nascimento e o bem estar do filho e da mãe. Divindade do encanto e da beleza, adora o ouro e tudo o que brilha, simbolizando o flash de luz que atravessa as águas e chega ao fundo dos rios, clareando um pouco aquele mundo escuro e sombrio.
É responsável pelo bem estar das águas e todo ciclo de animais, folhas e micro-organismos que nelas
vivem, juntamente com Nae Tokpodun, uma divindade do panteão hevioso que foi expulsa do oceano devido seu gênio forte e arredio.

Outra Nae muito conhecida do culto as águas doces é Aboto, vodun cujo culto atravessou fronteiras e chegou até as terras iorubás, sendo cultuada ora como variação de Íyèmònjá ora como variação de Òsún. Aboto é a senhora do encontro das águas, regendo o local onde o rio desemboca. Pertence ao panteão da terra, sendo um vodun velho e temperamental, coligada ao culto aos ancestrais. É a dona do suór e de toda água encontrada no organismo. Senhora da pororoca e das èkédjís, protegendo-as e cobrando-as de suas funções. Suas cores são o amarelo pálido e o transparente; gosta de adornos dourados e prateados e adora perfumes.

Muitas Naes das águas doces são desconhecidas devido a falta de
informação e aprendizado porém, cada uma possui sua significância, seja pertencente ao panteão dos trovões ou da terra, sua importância é indiscutível para o culto e para a existência do planeta e dos seres que nele habita. Usam adornos dourados em sua maioria, vestes estampadas, amarelas ou azuis, trazem nas mãos liras, espelhos, leques, òfá, penas, etc. variando conforme seu culto e sua abrangência. Algumas possuem fundamentos com Òtólú, outras com Ajaunsi, Sogbo, Averekete, etc. Seu dia da semana é o sábado e seus pratos são os mais variados, desde o òmóòlókún, peixes diversos, arroz doce, lè lè, ásòsò, doces e frutas.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Nae togbosy. É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naes. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. É um vodun encantado, veste amarelo claro e azul, sendo muito parecido com o òrísá Òlóògúnèdé dos iorubás.


Qualidades dos òrísás: caminhos ou deuses diferentes?

Qualidades dos òrísás: caminhos ou deuses diferentes?


Com a chegada dos Europeus ao continente africano, os negros passaram por uma mudança drástica, deixando de ser líderes, chefes de aldeia, súditos, ou simples habitantes para serem qualificados como escravos. Os negros foram levados para os mais diferentes lugares de toda Europa e também para suas colônias. O Brasil era uma colônia portuguesa e, já tinha tentado fazer seus aborígenes de escravo mas, os índios não eram acostumados com trabalho pesado e muitos acabaram adoecendo. Logo, os portugueses trouxeram os negros da África e os juntaram em senzalas, fazendo deles seus empregados, que apanhavam, eram humilhados e tinham todos seus deireitos renegados. Nessa junção de diferentes negros, de diferentes territórios africanos em uma mesma senzala, fez com que seus cultos e deuses fossem aglutinados, passando por grandes transformações. O homem branco forçava os escravos a esquecerem seus deuses pagãos e, queria catequizá-los, ensinando para os negros o cristianismo e toda legião de santos católicos. Para não desmerecer o grande panteão africano, os negros assimilavam seus deuses aos santos católicos, conforme carácterísticas em comum. Ògún foi assimilado à São Jorge, Òsóòsí à São Sebastião, Sàngò à São Gerônimo, e daí por diante. Como já não fosse o bastante, por causa de ser cultutados diferentes deuses, de diversas culturas e territórios diferentes, ocorreu também a aglutinação de deuses onde Ògún foi assimilado à Tògún e a RoxiMukumbe, Òsóòsí à Òtòlú e a kabila, Sàngò à Hèvíòsò e Zázè e, assim sucessivamente. Nessa mistura de cultos, até mesmos certos òrísás perderam suas carácterísticas que os diferiam e passaram a ser cultuados como outros òrísás à que tinham algo em comum. Ònírà por exemplo, é um òrísá do culto as águas, sendo extremamente guerreira; Seu culto foi aglutinado ao de Òyá e ao de Òsún, a deusa da guerreira e a deusa das águas. Foi nessa grande confusão que surgiram as qualidades dos òrísás que nada mais é do que passagens dos mesmos em sua fase terrena, outros deuses que perderam sua cultura e foram confundidos com os òrísás mais conhecidos, vòdúns que por terem características em comum passaram a ser aglutinados ao culto dos òrísás ou títulos desses òrísás em sua passagem terrena.
Exemplo1: Passagem do mesmo em sua fase terrena- Sàngò Àgànjú, fase jovem, onde foi coroado e assumiu o reino de òyó; Sàngò Ògòdò, fase adulta, onde essa divindade constrói sua família polígama; Sàngò Áfònjá, fase mais madura, onde essa divindade está extremamente ligada ao culto dos trovões; Sàngò Ígbárú, fase madura, onde esse òrísá é relacionado ao fogo.
Exemplo2: Outros deuses que perderam sua cultura e foram confundidos com os òrísás mais conhecidos- Áirá é uma divindade relacionada ao culto de Sàngò. Segundo os mais antigos, liderava o exército do grande rei. Possui grande envolvimento com Òsáàlá.
Exemplo3: Vòdúns que por terem características em comum passaram a ser algutinados ao culto dos òrísás- Sògbòádàn é um vòdún que representa a união da família Hèvíòsò com a família Dàn gbírá, sendo um deus coligado ao fogo e a terra, tido para muitos como uma cobra alada que cospe fogo.
Exemplo4: Títulos desses òrísás em sua passagem terrena- Ògbá kòsò, significa o rei não morreu!Título dado à Sàngò após sua suposta morte; Áláfín, título dado à Sàngò após ter se tornado rei de Òyó, sendo o quarto Áláfín de òyó.

Podemos ver nesses exemplos que, todos são tratados como Sàngò porém, verdadeiramente suas qualidades ou caminhos são Ágànjú, Ògòdò, Áfònjá e ígbárú. As demais são títulos ou outros deuses aglutinados em sua cultura.
Essa confusão ocorre com quase todos os òrísás cultuados no nosso candomblé, uma vez que eram mais de 600 deuses na África e aqui se resumiram a 16 mais cultuados. Será que, esses 584 deuses que restaram se tornaram qualidades das divindades mais cultuadas? Alguns sim, outros não mas, sabe-se que existe muita gente aí feita de um òrísá mas é de outro, ou até mesmo feita de òrísá mas sendo de vòdún devido a essa mistura. Com o tempo a tendência é piorar pois, hoje em dia vemos muitas outras qualidades sendo inventadas como Òdé ònísèwè( o caçador de borboletas, o òdé que pensa ser uma òyá), Òyá Dè, òsún òtín, dentre outras maluquices que o futuro nos tem trazido.
A mensagem é a seguinte: Procurem estudar mais sobre as divindades, seus cultos, sua origem para poder fazer as coisas certas. Candomblé é cultura, é estudo...Não pode existir zelador desinteressado ou kòsì. Devemos estudar e nos aprofundar na cultura para podermos fazer a coisa certa.
Na verdade, Sàngò só existem um. O que varia é a forma como ele é cultuado em diferentes òrís. Suas comidas e cores, danças e rituais são os mesmos, diferindo apenas temperos e preferências. Isso serve de exemplo para todos os demais òrísás de nosso panteão e suas qualidades.

sábado, 6 de outubro de 2012

Sakpatá, o vodun da varíola e da terra

Sakpata é um vodun muito temido e respeitado, o senhor das doenças contagiosas e intitulado “Ayinon” – o Dono da Terra. Considerado uma divindade de dupla etnia, pois seu culto transita entre os povos Fon e Yorubá, onde é conhecido pelo nome de Sòpònná (Xapanã).
Sakpata é considerado por alguns como o primogênito de Mawu-Lisá, e por outros como sendo filho da antiga mãe Nanã Buluku. São muitos os voduns que fazem parte da família de Sakpata, todos tendo características e culto próprio mantendo relações de semelhanças entre si. Todos estes voduns estão ligados à terra, às doenças e a cura. Alguns estão associados à riqueza e a miséria. Suas vestimentas são feitas ou levam a palha da costa, um dos principais símbolos destes voduns. Alguns usam o xaxará, outros o bastão, a lança e o facão. As cores são variadas, mas geralmente se remetem aos tons mais escuros, em especial o roxo, o preto e branco, o bordo e o vermelho.
Azansú (homem da esteira) ou Azonsú (homem doente) são os nomes pelo qual Sakpata é conhecido nos candomblés jeje mahi. Usa palha da costa que lhe cobre todo corpo e o xaxará, com o qual capta e retira a energia negativa dos ambientes. Sua cor é o roxo ou o bordô. A saudação para os voduns desta família é “Abáo, sísí daagbo”.
Avimaje é um vodun jovem da família de Sakpata, o mensageiro entre os voduns desta família. É ele quem “carrega as almas”, veste-se de branco e é guerreiro. Carrega um facão e não usa o xaxará. Tem ligações com o vodun Kposu.
Parará, Kpadadá ou Pararaligbú é um sakpata feminino. Rege a terra e as doenças, e as feridas provocadas pela varíola simbolizam as jóias de Parará. Sua cor é o roxo. Carrega um pequeno xaxará.
Azoani, Azawane ou Azonwäne é considerado, principalmente pelo jeje do RJ, como um vodun das ervas, com muita ligação ao vodun Agué. Para outros porém esse nome é apenas mais um “apelido” de Azonsú-Sakpatá (e é assim que consideramos aqui em minha casa).
Em geral todos estes voduns são muito exigentes com seus filhos, sendo amados e temidos por eles. Cabe aos sakpatas a fiscalização das casas de religião, sempre mantendo a moral e os bons costumes. Ewá está intimamente ligada a Azansú, sendo a responsável pela tarefa de fiscalizar as casas para os demais sakpatas.
Na África, até hoje, os sacerdotes de Sakpatá são chamados de Ánàgónú, talvez uma referência a possível origem nagô deste vodun.

Vodun Kpɔ̀sú




Kpɔ̀sú (lê-se Pôssú) significa “Homem Pantera” (kpɔ̀=pantera;
sú=homem). Um vodun cultuado nos candomblés de Jeje-Mahi no Brasil, ora
como sendo do Panteão do Trovão (Xebioso, Hevioso ou Kaviono), ora como
sendo do Panteão da Terra (Sakpatá).
Contam as lendas que da união da princesa Álígbònò com uma pantera
chamada Gbèkpɔ̀ nasceu Yíègú.  Yíègú foi o responsável por formar um
exército denominado Kpɔ̀villé (os filhos da pantera) e conquistar o
reino de Ajá-Tado. Após suas conquistas Yíègú toma o título de Gáú
Kpɔ̀sú (general Kpɔ̀sú) ou simplesmente Kpɔ̀sú. Também está ligado à
fundação de Danxomè (Daomé ou Dahomey). Na Casa das Minas há um vodun
conhecido como Dadarrô (Dadaxó) que significa “O Rei”, O pai do Daomé,
ancestral da família de Davice (família real), que seria para os mahis o
mesmo que Kpɔ̀sú.
Ainda na visão de alguns pesquisadores, Kpɔ̀sú seria um nome
utilizado para substituir o nome de filho bastardo (Agasú) e matador de
Aja (Ajahutó) deste grande ancestral.
Na visão do Jeje Mahi, Kpɔ̀sú é visto de duas formas: numa é um vodun
velho, o mais velho dos voduns da família de Hevioso. É a astúcia, a
agilidade, o caçador. Considerado como sendo o pai do vodun Sògbó. É uma
das manifestações do próprio deus do raio que vem a terra em forma de
pantera no mato.
Numa outra visão, Kpɔ̀sú é visto como um vodun da família dos Sakpatás, mas mantendo todas as suas características.
Em verdade nenhuma das visões deixam de estar corretas; Kpɔ̀sú é um
grande vodun, ligado ao pó da terra e às alturas, a ligação entre a
terra (ayi) e o céu (ji), por isso sendo também considerado como aquele
que, junto ao vodun Avimajé, carrega a alma dos antepassados.
Kpɔ̀sú tem seu fio de contas e suas cores em tonalidades de cores
escuras, como o laranja e o preto, o bordô, podendo ser também o
colorido.  Aprecia o quiabo e comidas apimentadas. Sua saudação
é “gbedê kpogbó!” (viva a grande pantera!).

sábado, 1 de setembro de 2012

JEJE-MAHI - ROÇA DO VENTURA



JEJE-MAHI
ROÇA DO VENTURA



Para se sentar na cadeira de Gayaku da Roça do Ventura tem que ser feita (iniciada) para o vodun Sógbó (sobô), ou Azonsú (lá Azansu) ou para Gbesen (Bé-sém), lembramos que no Ventura a Gayaku é termo dado aquelas que iniciaram pelo menos 1 filho para um vodum da família nagô (Ogun, Odë, Iyemoja, Osun,..., lá não se inicia Iyewa, nem Oba, nem Logunëdë)
Bem, a fundadora foi Ludovina Pessoa, que era iniciada de Ogun (um vodum nagô) obviamente ela não era iniciada de Azonsú, nem de Sógbó e nem de Gbesen, e obviamente não se sentou no trono, tendo-se aliado a Maria de Azonsú da família de Modubi (de José Maria de Belchior, originária do Terreiro do Pinho - Hunkpame Dahomé) da roça de cima para fundar a roça de baixo empossando uma de suas filhas (de Gbesen).
A lógica é que para sentar no trono de Gayaku tem que se iniciar lá um vodun nagô e ser iniciada para vodum propriamente dito, embora o conceito de vodum nagô varie dentro das ramificações do jeje. Por que isso? Isso porque Gbesen é o espírito da vida e assim sendo não compactua com nada que lembre a morte, daí o uso de sempre-vivas em preceitos como o gbo-etá (boitá), do beeko (quizila) com flores dignas de se cobrir defuntos, do não estabelecer casa de egun (asen), etc. como havia na roça de cima (de Modubi) etc.
Os mahis na realidade cultuam voduns que se relacionam diretamente com os orixás e deles tiveram origem de culto na África, e de sua região mahi. Assim comumente ouvimos sou de Sango de um filho de Sógbó e o mesmo de um filho de Aira (lembramos que sacerdotes do Benin afirmam que Sógbó é Sàngó).
Na roça de cima o termo gayaku herdado pelos modubis e pelos hoje, então, descendentes, designa aquela que é dirigente de um culto voltado aos voduns de nagô (um Nagô Vodum antigo), e não necessariamente a que inicia um vodum desta família, o título foi repassado com a criação da roça de baixo. Visto que Azonsu é termo próprio da família de Modubi.
Eguns e voduns que tiveram vida terrena como os reais do Dahomey não são cultuados em Mahi, todos os antepassados da casa são reverenciados (ja avalu) saudando-se e ofertando-se ao vodun Ayizan, sempre à frente da casa principal conforme Ajahuto o fez em Allada.
Os voduns mahis seguem conforme os orixás nagôs, são aqueles que de alguma forma morreram, seus corpos não foram encontrados, despareceram, subiram ao céu ou desceram pela terra, enfim se há sepultura (como a dos reis do Dahomey) não é cultuado como vodum Mahi.
Obs. Esse assunto é referente ao Jeje Mahi no Brasil e não no culto de voduns mahis no Benin onde reina Ainon (Sakpatá). Atualmente vemos o maravilhoso e reedificado asen de Savalou em memória à ancestralidade real do Palácio de Savalou. 
O Jeje Mahi de Cachoeira, Bahia e do Bogum de Salvador, Bahia (da mesma fundadora) tem como divindade principal Gbesen, que é do culto de Dàn de local próximo.


sábado, 25 de agosto de 2012

CARGOS DA NAÇÃO DJEJE


Cargos da Nação Jeje-1
Yatemi (iatemi) - denominação dada às mulheres que têm cargo de sacerdotiza após sua passagem de yao para um grau superior, sete anos após a iniciação. O prefixo Ìyá é de origem Anágò e significa Mãe. Em língua Fon a palavra mãe se grafa como Nà, anɔ̀, naé, năjinɔ̀, nɔ̀ e yă (palavra de origem Anágò) que perdeu a vogal inicial I e foi assimilada pelo povo Fon como: Yă.
Neste caso a grafia Yatemi está fundida com a palavra de origem Fon ‘Etémìn ou Etémì‘ termo que faz alusão àqueles que adquiriram grau superior, ou seja, que completaram seus 7 anos. A palavra equivalente em língua Anágò seria Ègbónmí (irmão mais velho). A palavra Fon Etémìn ou Etémì não confere grau de sacerdote ou sacerdotisa, apenas faz alusão àquele ou àquela que é mais velho.
Babatemi (babatemi) - Denominação dada aos homens que têm cargo de sacerdote após sua passagem de yao para um grau superior, sete anos após a iniciação. O prefixo Bàbá é de origem Anágò e significa Pai. Em língua Fon se grafa como Tɔ́, atɔ́, daá, dadá, dεέ.
Hunsó (runssó) - mãe pequena
Grafa-se: Hùnsɔ̀. (pronuncia: Runsó)
Se grafarmos Hùnsò (pronuncia: Runsô) Teremos a tradução: Hùn = Vodún + Sò = Raio. Ou seja, diríamos Vodún do Raio. Um adjetivo para o vodún Sògbò.
Dehe (deré) - vodunsi responsável por todos os atins mágicos usados nos rituais.
Grafa-se: Dεlὲ. (pronuncia: Deré) * No Fon a letra “L” tem som de “R”.
Dehe-vitu (deré vitu) - cargo que substitui a mãe-pequena.
Grafa-se: Dεlὲ vitù.
Done (doné) - Cargo dado às vodunsis filhas dos voduns da família de Heviosso. Em cada axé só pode haver uma. (Jeje Brasil) Grafa-se: Donὲ.
Dote (doté) - Cargo dado aos vodunsis feitos de voduns da família de Heviosso. Em cada axé só pode haver um. (Jeje Brasil) Grafa-se: Dotὲ. 
  Gaiaku (gaiacú) – Cargo dado às mulheres sacerdotizas. Segundo alguns informantes somente pessoas de Agué, Naetê, Agbe, Yemanja, Loko e Lisa podem ter esse cargo. Outros dizem que toda zeladora pode usá-lo. Grafa-se: Gayàkú. No Benin este atributo é utilizado por pessoas consagradas ao vodún Agὲ, pois segundo alguns nativos, este nome faz alusão a um devoto de Agὲ. (pronuncia: Agué).
Megitó (megitó) – Cargo dado às mães de santo que já fizeram voduns em suas casas. Alguns dizem que todas as pessoas feitas de voduns da família de Dan são megitó. Vale ressaltar que o primeiro Jeje do Rio de Janeiro foi fundado por dona Megito que era de Vodum Jô. Grafa-se: Mεjitɔ́. Qualquer pessoa que tenha gerado descendentes religiosos pode utilizar esta condição. A palavra vale tanto para o sexo masculino quanto feminino. Quando se faz uso para sacerdote é necessário esclarecer que é por ter gerado descendentes religiosos e não por ter parido biologicamente um ser.
Pegigan - Primeiro ogam feito na casa, responsável por todo os pejis da casa.
Grafa-se: Kpεjígán. Significa: Kpεjí = sobre o altar + Gán = senhor. Trazendo a idéia de ”Senhor que zela o altar”. Ou ainda: Kpεn = pedra + Jí = verbo gerar + Gán = senhor. Trazendo idéia de “O senhor que gera (ou dá a vida) à pedra”.
Bagigan – Ogam responsável pelas folhas
Grafa-se como: Agbajìgán. Agbajì = pátio + Gán = senhor. Ou seja: o senhor que cuida ou zela do pátio, que por coincidência é onde estão plantadas as folhas.
Gaimkpè (gaimpé) - Terceiro sacerdote (ogam). Acompanha a mãe/pai de santo em todos os fundamentos de uma ahama (barco de iniciação).
Grafa-se: Gán Ipè (pronuncia: Gan ipê).
Hundeva (rundêvá) - sacerdote responsável pelas cerimônias de nahunos (iniciação).
Grafa-se: Hùndévà. 
 Abose (abôssé) – Responsável pelos carregos e segurança da casa, normalmente é dado a um filho de Gu, pois o vodum também toma cargo.
Grafa-se: Agbósὲ (pronuncia: Abôssé).
Hun to (rum tó) – dono do tambor. Responsável pelos atabaques, cantigas e rezas.
Grafa-se: Gánhǔntɔ́. (pronuncia: Gan rruntó) Vale lembrar que Hǔn significa: tambor largo e Tɔ́ significa: proprietário. Considerando que Gán (senhor) não é e nunca será pai, pois numa família só pode existir um pai e uma mãe, temos: “O senhor proprietário do tambor”.
A palavra Gán é de origem Fon e significa Senhor.
Não devemos confundir com a palavra Anágò Ògá que significa Chefe, mas que também é utilizada pelo povo Anágò para fazer alusão à pessoa que ocupa o mesmo cargo.
Hunhoto (runhôtô) – tocador de tambor.
Grafa-se: Hùnxótɔ́ (pronúncia: Runrrôtó) significa: tocador de tambor.
A palavra Fon: Ayihúndátɔ́ significa: tocador.
Huno (runô) - cargo semelhante ao ogam Rundevá.
Grafa-se: Hùnòn ou Hùnò. Onde: Hùn = vodún + Nòn = sacerdote. Ou seja: sacerdote de vodun.
Abasa (abassá) – Ogam responsável pela sala (barracão). Todos os preceitos de sala são feitos por ele. Cabe também a ele receber e acomodar as visitas.
Grafa-se: Agbásà. Significa: pátio ou área externa. O ‘Gàn’ (senhor) que realiza esta atribuição é o Agbásàgán. Na língua Fon se utiliza a forma ‘Gán’. Possivelmente a palavra Ogan foi assimilada no Brasil da língua Anágò que grafa: Ògá. E que faz alusão ao mesmo cargo.
A palavra Fon ‘Gán’ significa também ferro.
Equedji - Auxiliar da zeladora/zelador
Grafa-se: Ekèjí (pronuncia: Êkêdji). Significa: O segundo de um par. 
 Gonzegan – Ekedji responsável pelo grã - já se sabe que esta é a ekedji das gonzens e não há segredo nenhum. Grafa-se: Gonzengán.
Emilecè - é o que carrega o Acé do okukale. Gostaria de obter esclarecimentos sobre esta ocupação para melhor entender.
Dogan (dôgan) - pessoa responsável pela comida dos voduns. Esse cargo pode ser ocupado tanto por uma ekedji como por um vodunsi. )
Grafa-se: Dàgán (tradução: Dà = preparar comida + gán = senhor).
Lebasi - Filhos de Legba Grafa-se: Lε̆gbàsí.
Togunsi – Filhos de Gu Grafa-se: Gǔnsí.
Otolusi – Filhos de Otolu Grafa-se: Otólùsí.
Aguési – Filhos de Ágüe Grafa-se: Agὲsí.
Sakpatasi - Filhos de Sakpata Grafa-se: Sakpatásí.
Lokosi (lôcôssi) – Filhos de Loko Grafa-se: Lòkósí.
Hunhó (runhó) - Vodunsi filho de Sobo, Hevioso, etc.
Grafa-se: Hùnyɔ̀ (tradução: Hùn = Vodún + yɔ̀ = Fogo).
Tobosi – filhas de Aziri, Tobosi, Oxum.
Grafa-se: Tɔgbosí. (tradução: Tɔ = água corrente + Gbo = grande quantidade + Así = Esposa). 
 Nanansi ou Nanã – Filhos de Nanã. Na África os iniciados de Nana, sejam vodunsis ou não, recebem na frente de seus nomes ou cargo a palavra Nana. Grafa-se: Nànásí.
Lisasi ou Agamavi - Filhos de Lisa Grafa-se: Lisàsí (tradução: Lisà = albino + Así = esposa)
Grafa-se: Aganmàví (tradução: Aganmà = camaleão + Ví = filho ou descendente).
Hunva (runvá) - Denominação dada ao neófito quando ele é o único de uma ahama.
Grafa-se: Hùnvà.
Kunbona (cumbona) – zeladora. Usa-se tanto para a sacerdotisa quanto para o vodum dono da casa. Grafa-se: Kǔngbónà.
Kunbono (cumbônô) zelador: usa-se tanto para o sacerdote quanto para o vodum dono da casa.
Grafa-se: Kǔngbónò.
Hunbona (roumbona) – primeira filha feita na casa. Grafa-se: Hùngbónà.
Hunbono (roumbonô) - primeiro filho feito na casa. Grafa-se: Hùngbónò.
Vodunsihe (vodunsirrê) - Pessoa feita no Jeje Mina. Os mahis denominam as pessoas feitas que não entram em transe como vodunsihe, ogans e ekedjis são um exemplo. Grafa-se: Vodúnsí he
Dofono (dôfôno) - Palavra que designa o primeiro neófito de uma ahama.
Grafa-se: Dòfònun.
Dofonitinho (dôfônitinho) - Palavra que designa o segundo neófito de uma ahama.
Grafa-se: Dòfònuntín. Na língua Fon não existe o dígrafo nh. 
  Fomo (fômô) - Palavra que designa o terceiro neófito de uma ahama.
Grafa-se: Fòmò ou Yòmò.
Fomutinho (fômutinho) - Palavra que designa o quarto neófito de uma ahama.
Grafa-se: Fòmòtín.
Gamo (gâmo) - Palavra que designa o quinto neófito de uma ahama.
Grafa-se: Gamò ou Nògamò.
Gamutinho (gâmutinho) - Palavra que designa o sexto neófito de uma ahama.
Grafa-se: Gamòtín ou Nògamòtín.
Vimu (vimu) - Palavra que designa o sétimo neófito de uma ahama.
Grafa-se: Vimun.
Vimutinho (vimutinho) - Palavra que designa o oitavo neófito de uma ahama.
Grafa-se: Vimuntín.
Trimu (trimu) - Palavra que designa o nono neófito de uma ahama.
Grafa-se: Tlὲnò (pronuncia: Tréno)
Trimutinho (trimutinho) - Palavra que designa o décimo neófito de uma ahama.
Grafa-se: Tlὲnòtín.
Dimu (dimu) - Palavra que designa o décimo primeiro neófito de uma ahama.
Grafa-se: Dimun.
Dimuntinho (dimuntinho) - Palavra que designa o décimo segundo neófito de uma ahama.
Grafa-se: Dimuntín. 
 Untu (úntu) - Palavra que designa o décimo terceiro neófito de uma ahama.
Untinho (untinho) - Palavra que designa o décimo quarto neófito de uma ahama.
Tunji (funji) - Palavra que designa o décimo quinto neófito de uma ahama.
Tunjinho (funjinho) - Palavra que designa o décimo sexto neófito de uma ahama.
Matéria da falecida Doné Jurema de Aveji Da
Acertos gramaticais de Ayiwedo